quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quem pode parar ele?


Messi deu show ontem em Madrid. Dois gols de puro talento, o segundo antológico, atraíram mais uma vez os olhares dos amantes de futebol ao argentino.

Melhor jogador do mundo nos últimos dois anos, sendo o primeiro a ser eleito em ano de Copa do Mundo sem tê-la ganho, Messi caminha para mais um triunfo neste ano. Será a primeira vez que um jogador ganha por três vezes seguidas. Com o provável prêmio, Messi se juntará a Zinedine Zidane e Ronaldo como os maiores vencedores da história. E com apenas 23 anos.

Com apenas 23 anos, Messi tem um currículo de se invejar. Tem 145 gols marcados na carreira, 52 deles nesta temporada. O jogador passou de um meia habilidoso, armador de jogadas, para um ótimo finalizador. Na partida de ontem, chutou duas vezes a gol. Balançou a rede em ambas. Se a média de gols persistir, o que eu acho que não deve acontecer, Messi pode facilmente tornar-se um dos maiores goleadores da história.

Mas não é só de gols que vive Messi. O argentino tem uma característica única, um jeito diferente de se jogar futebol. A bola gruda em seus pés, unindo velocidade e técnica em arrancadas primorosas, sempre em direção ao gol. Messi dá a impressão que jogar bola é fácil, simples. Pra ele é.

Messi não sentiu o peso de se tornar o melhor do mundo em tão pouco tempo. Não sentiu a responsabilidade de comandar um dos melhores times de todos os tempos. Não caiu em desgraça devido à fama: não engordou como Ronaldo, não bebeu como Adriano, não drogou-se como Maradona, não se "estrelou" como Cristiano Ronaldo. Messi continua humilde, seu futebol só melhora e se aprimora. Só falta uma Copa do Mundo para seu currículo tornar-se perfeito.

É difícil ganhar do Barcelona hoje. É difícil parar Messi hoje. Nenhum jogador chega aos seus pés atualmente. Talvez Neymar, que também tem a característica mais cruel de Messi: a possibilidade de decidir um jogo em um lance.

Messi tem tudo para ser o maior jogador da história. Certamente não terá feito tantos gols como Pelé, mas sua capacidade de decisão e de apresentar um futebol convincente em praticamente todas suas partidas é algo a se admirar.

Messi tem aproximadamente mais 15 anos de carreira, 10 de bom futebol. Mais 15 anos que o futebol agradece.

domingo, 24 de abril de 2011

E eu achando que eu estava calejado...


Hoje o Guarani jogou um de seus recentes "jogos da vida" no Brinco de Ouro. Assim como na semana passada, contra o Comercial, a vitória sobre o Rio Preto daria o acesso ao Bugre.

Se este jogo fosse há um tempo atrás, eu não me aguentaria a semana inteira. Um dia antes, não dormiria. Só pensaria nisso, só falaria nisso. Mas isso não acontece mais. Mas por que?

Porque eu, infelizmente, me acostumei com esse sobe e desce do Guarani. Eu nunca vi o Guarani entrar num campeonato e terminar tranquilo: ou luta na parte de cima, ou na parte de baixo.

Com os últimos fracassos, eu parei de preocupar muito com isso. Eu não deixei de amar o Guarani, mas eu consigo, hoje, separar minha paixão pelo meu time da minha vida pessoal. E eu passei a ser muito mais tranquilo por causa disso.

 Eu não estava nem um pouco nervoso pro jogo de hoje, assim como eu não estava naquele jogo contra o Grêmio que resultou no nosso rebaixamento nacional no ano passado. Meu medo era que eu estivesse "calejado", isso é, que eu tivesse passado por muita coisa com o Guarani e o meu "tesão" de ir no jogo, de ir ver o Guarani, tivesse acabado.

Pois bem, no jogo de hoje ficou do meu lado um casal. Mas não um casal qualquer. Os dois, mais ou menos 60 anos, estavam ali unidos por um mesmo motivo. O tradicional radinho de pilha dividia um fone de ouvido pra cada um. Ele sabia cantar todas as músicas. Ela opinava no time. "Tem que botar o Dadá no lugar do Lusmar", falava ela. Eram dois torcedores clássicos.

E no fim do jogo, tudo o que eu imaginei que estava acontecendo comigo veio por água abaixo. Aquele casal, que viu o crescimento do Guarani no futebol, que viu o título brasileiro, os grandes times da década de 80, a roubalheira dos anos 90 e as quedas dos últimos anos. Eles, que passaram por tudo isso, choraram. Juntos, abraçados. Eu, que não comemorava esse acesso como comemorei os outros 3 por que passei, fiquei sem reação. Eu achava que estava calejado, sem motivo nenhum. Meus olhos foram abertos pelo choro que eu tive ao ver aquela cena.

Eu nunca vou ficar calejado, porque o futebol permite isso. Permite passar por momentos bons e ruins e conseguir comemorar ou superar isso, e sempre com a mesma emoção. Eu te amo Guarani, e mais ainda, eu te amo Futebol.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

(dessa vez) A culpa não foi dele


O atacante Adriano sofreu lesão grave na última terça-feira. O maior reforço corinthiano para a temporada 2011 sofreu ruptura do tendão de aquiles, uma lesão rara. Após cirurgia realizada nesta quarta, Joaquim Grava, médico do clube, avaliou em 5 meses o tempo de recuperação de Adriano.

Ouvi, após a confirmação da gravidade da lesão, muitos corinthianos colocarem a culpa em Adriano, principalmente devido ao (evidente) excesso de peso do jogador. Adriano, aliás, chegou sem prestígio nenhum ao Corinthians. Após uma passagem apagada e cheia de polêmicas pela Roma, o atacante passou a ser sinônimo de problemas extra-campo e mal futebol devido a eles.

Problemas, aliás, não faltaram durante toda a carreira de Adriano. Nascido na Vila Cruzeiro, nunca conseguiu deixar para trás a família e os amigos que fez no morro. Mesmo com bom futebol apresentado no exterior, era infeliz pela distância da "comunidade". Para piorar a situação, seu pai faleceu em 2006 - mesmo ano em que havia sido uma das decepções da seleção na Copa da Alemanha -, agravando ainda mais os problemas psicológicos do jogador. Adriano ficou quase um ano sem marcar gols pela Inter, afundou-se em festas e na bebida, problema que se arrasta até hoje.

Na sua saída da Inter, desapareceu por quase uma semana - estava no morro. Disse que abandonaria o futebol, que estava infeliz. Após um mês, o atacante assinaria com  Flamengo. Neste período, por estar próximo de seus parentes e amigos, Adriano recuperou a alegria no futebol - foi artilheiro e campeão do Brasileirão 2009 -, mas continuou envolvido em polêmicas. Fotos com traficantes, brigas com a namorada, festas e bebida. O atacante voltaria a falar em parar de jogar futebol, após uma sequência de fatos: a briga com a namorada, o fracasso na Libertadores, e a perda de um pênalti na final da Taça Rio. Chegou a afirmar publicamente que era alcoólatra. Patrícia Amorim, presidente do Fla, diz ser inevitável a saída do atacante do clube, sendo esta para uma precoce aposentadoria ou um time europeu - o que viria acontecer com a ida de Adriano para a Roma.

No clube italiano, Adriano teve um dos piores desempenhos de sua carreira. Amargando a reserva, marcaria pouquíssimos gols, sofreria muitas lesões e se envolveria em mais polêmicas. Na última delas, Adriano veio ao Rio e simplesmente não voltou à Itália na data combinada. Além disso, no período em que esteve no Brasil, foi pego bebendo em plena época de tratamento de uma lesão e sofreu multa por se recusar a fazer o teste do bafômetro. Teve seu contrato recindido.

Por fim, veio ao Corinthians. Como só poderia ser inscrito no Brasileirão, o tratamento de sua lesão no ombro não seria problema, pois já estaria curada até maio. O grande desafio seria a perda de peso. Mas a lesão no tendão de aquiles atrapalhou a recuperação do Imperador.

Voltando à discussão inicial, Adriano já mostrou ser um "garoto-problema": adora noitadas, o morro e bebidas, principalmente. Está acima do peso e não tem apresentado um bom futebol. Mas o que isso tem a ver com a lesão no tendão?

Beckham, sempre magro e com um futebol constante, teve exatamente a mesma lesão, o que descarta a possibilidade do alto peso e o tempo parado de Adriano agravarem ou propiciarem a lesão.

Adriano, pela primeira vez, está sendo acusado e injustiçado pela imprensa e pela torcida - que no caso é a do Corinthians, uma das maiores do país e do mundo. Os ataques podem agravar a depressão e o alcoolismo do Imperador e jogar por água abaixo a já tão complicada recuperação e volta por cima.

Torço pra que Adriano se recupere, volte a apresentar o bom futebol e marcar os gols que fizeram dele o Imperador. Mas pra isso vai precisar, e muito, do apoio da torcida.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

U2 - 360º


Pra fechar um bom show de abertura do Muse, o U2 entrou ao palco pouco mais de meia hora depois da banda britânica. Meia hora que pareceu meio mês. Pra torturar seus fãs, o U2 bota um relógio aleatório no telão: o maldito anda acelerado e dá a impressão de que, a cada meia hora passada nele, vai sumir e apagar junto com as luzes do estádio. Doce ilusão. Após umas 3 voltas, quando a platéia menos esperava, escuridão. Surge uma música alta e uma janela (fechada) de uma nave - o que o palco em 360º pretende ser - no telão que antes tinha o relógio. A janela, de repente, abre e mostra os 4 integrantes da banda andando em direção ao palco. Pela movimentação das arquibancadas atrás deste, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen já estão no "gramado". As luzes se apagam novamente. E a banca começa o show. Não só um show, um espetáculo.

As luzes, o telão e palco dinâmicos, tudo se encaixava perfeitamente. Todos no estádio podiam ver e apreciar tudo. Eu, praticamente na grade do "lado direito" do palco, via os integrantes da banda a aproximadamente 5 metros de mim, separados apenas pela Red Zone, quando passavam pelo circulo e pela ponte laterais.


Bono, mesmo que cansado dos outros shows, foi perfeito como sempre. Um verdadeiro diplomata, até em cima do palco: fala em português com a platéia, dança, brinca com a câmera. The Edge, sempre quieto, arriscava uns sorrisos quando andava pelas passarelas laterais e era ovacionado. O guitarrista é um dos únicos no mundo que tem um estilo único: seus riffs e solos são inconfundíveis, permitindo a quem os ouve identificar sua identidade neles rapidamente.


Já o sempre sorridente Adam, marca do seu charlatanismo de solteirão, andava o palco com tranquilidade. Não expressava muito além do sorriso duro, e dancinhas com o ombro. Coisa de baixista clássico. Empolgou mesmo assim. Larry, girando com sua bateria para acompanhar a mobilidade de seus companheiros de banda, arriscou tocar um bongô e também andar pelo palco para se apresentar a todo o estádio.

Sobre a setlist
Confesso que fiquei meio perdido nas 5 primeiras músicas. Não sou tão fã das músicas mais pesadas do U2. Não que eu não goste, mas não estão nas minhas preferidas. Mas sei que toda banda considera crucial começar um show com esse tipo de música. Curti, cantei as partes que sabia e fiquei surpreso com a produção do palco. Tudo que aparecia na TV, em vídeos na internet, em fotos, era real e melhor ainda ao vivo.

Depois, o primeiro êxtase: Elevation. Música pra pular, suar, gritar. Daí pra frente o set seria (quase) perfeito pra mim. Tirando I'll Go Crazy if You Don't Go Crazy Tonight e Scarlet, todas as músicas estavam entre as minhas preferidas ou conhecidas. Cantei com o estádio todo em I Still Haven't Found ... para um Bono maravilhado. Fui à loucura com Beautiful Day, City of Blinding Lights, Vertigo e Sunday Blood Sunday - música que a banda aproveitou pra fazer apelo político pelo oriente médio.

Antes disso, uma desnecessária (mas não ruim) participação de São Jorge. Desnecessária pela música escolhida: The Model, cover de Craftwerk. A interação desejada pelos músicos com a platéia, em partes da música com o clássico lalalala, não aconteceu. O cantor brasileiro podia ter escolhido melhor a música que cantaria com o Bono e The Edge. Tempo crucial de show perdido, onde a banda poderia incluir uma das grandes músicas que ficaram de fora, como In a Little While ou Stuck In a Moment (tocadas no primeiro dia de show - fiquei puto!).

Em Zooropa, mesmo não gostando muito da música (e do disco), a descida do telão para cobrir toda a banda valeu a pena.

Depois, pra finalizar a primeira parte do show, a clássica balada One, introduzida pelo bispo sulafricano Desmond Tutu, Where The Streets Have no Name, um show à parte da platéia - bexigas em verde e amarelo surgiram em todo o estádio e a animada Walk On.

Para o encore, o famoso "mais um", a banda voltou com o slogan "é hora do show". Bono cantava com um blazer de couro coberto de lasers, assim como o microfone onde se pendurava e girava suspenso no ar. A primeira música, Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me, mais animada mas menos entoada pela platéia. A partir daí, as duas músicas finais seriam de teor melancólico.


Primeiro, a mais cantada da noite, a triste With Or Without You. Só pra constar, Bono (para surpresa geral) não beijou ninguém esse show - apenas chamou uma menina pra traduzir Beautiful Day poeticamente antes dessa ser tocada. Por fim, Moment of Surrender, com nova homenagem às crianças mortas em Realengo na última quinta feira.


Um baita show em termos de produção, com um setlist bom. Poderia ter sido ótimo, só com hits e músicas famosas. Mas o U2 nunca fez isso. A banda sempre bota 4 ou 5 músicas do último disco em seus shows. Lógico que, como fã, eu gostaria de um show só com as músicas que eu gosto (fiquei mal acostumado pelo Bon Jovi, no ano passado), mas quase nenhuma banda consegue agradar 100% a todos da platéia.


Vídeos das principais atrações do show de ontem:












Muse


Confesso que eu estava nervoso pro show do Muse ontem. Eu não estava acompanhando o setlist do U2 por não querer estragar a maior surpresa da noite, mas as músicas que o Muse tocou por toda a turnê sulamericana eu acompanhei, por dois motivos: Resistance e Time Is Running Out, minhas duas músicas preferidas que revesavam setlist.

Isso mesmo, o Muse revesa setlist. E não uma ou duas músicas, mas 80% do show. Uprising, outra música que eu curto, é uma das únicas presenças garantidas.

Pois bem, pelos meus cálculos, o setlist dessa quarta seria justamente o que não conta com as duas músicas. Fiquei tenso.

O show começou, Uprising tocou. E a ansiedade aumentava. Quarta música, Bellamy atrás do palco. E Resistance começa. Quase chorei. Parecia um louco: em meio a 90 mil pessoas, só eu e mais 999 sabíamos cantar a música inteira. Depois ainda viria Time Is Running Out, pouco mais conhecida e entoada, para melhorar ainda mais o show.

O trio conseguia cativar mesmo as pessoas que não conheciam a banda, justamente por ter um som bom. Matthew Bellamy andou o palco circular inteiro, acenou, fez graça e arrancou risos com seus trejeitos estranhos. Ao fim do show, foram aplaudidos pelo estádio inteiro - algo difícil pra uma banda de abertura.

Em meio a minha cantoria, deu pra ouvir umas pessoas atrás de mim, comentar: "Nossa, será que ele conhece a banda?" Sim, conheço e recomendo. O Muse tem um som próprio, diferente. É uma coisa meio alucinógena. Mas não alucinógena que cansa e irrita, tipo The Doors (sim, eu odeio Doors). Mas uma que vicia, atrai.

Com certeza, assim como foi com o Franz Ferdinand em 2006, o Muse volta depois pra fazer um show próprio. Lógico que sem contar com o aparato técnológico e o espetáculo proporcionados pela turnê 360º do U2. Mas com a certeza que o Setlist vai ser demais.

Aqui vídeos das 3 músicas citadas nesse post. Infelizmente, nenhuma do show de ontem. Uprising é do show de domingo. Resistance e Time Is Running Out não têm vídeos de boa qualidade de shows no Brasil. Assim que aparecer algum eu posto aqui.





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